Era dia 2 de junho de 2023. Já se passaram das 19 Horas quando Israel chegou em casa correndo para avisar a mãe que a vizinha o havia ameaçado. Enquanto Israel brincava com um tablet no gramado, a vizinha havia arremeçado um patins contra o menino. Seu irmão, Isaac, de 12 anos, disse que a vizinha gritava injúrias raciais e os ameaçou com um guarda-chuva. Desesperado, Israel e Issac correram, deixando o tablet para trás.
Não era a primeira vez que os garotos tinham problemas com a vizinha. Na verdade, todos os moradores tinham problemas com Susan Lorincz, a vizinha de 50 anos
Susan Lorincz era aquela “vizinha” que toda criança viu na rua de casa. Se você foi do tipo que brincou na rua, deve se lembrar de uma Susan, talvez não com esse nome. Pode ser a dona Lúcia, Carmem, Maria. Não sei o nome, mas aposto que ela estava lá. Aquela vizinha que gritava com as crianças, que pegava a bola e não devolvia. A vizinha que jogava água nas amarelinhas que desenhamos no chão. No caso de Israel e Issac, o nome dela era Susan.
Desde que mudaram para vizinha, Susan parecia não suportar as crianças. Ao lado da sua casa havia uma grande área de grama onde as crianças brincavam, mas ela se incomodava. Se incomodava tanto ao ponto de chamar a polícia. Por dois anos, Susan ligava para a polícia reclamando que as crianças da vizinhança estavam brincando e fazendo barulho. Ela dizia aos policiais que era a vizinha perfeita, não fazia nada para incomodar, mas todos queriam tirar sua paz. Entretanto, testemunhas diziam que ela usava xingamentos racistas contra as crianças e as filmava. Durante esses dois anos, policiais atenderam denúncias da mulher contra as crianças. Era apenas um caso de desinteligência. Explicavam que não podiam impedir as crianças de brincarem em locais públicos, mas Susan não queria saber, ela não queria ouvir as crianças e pronto.
Não posso afirmar que as crianças realmente invadiram a casa dela, mas a câmeras de segurança não mostravam isso. Também, nenhum vizinho deu razão para ela alguma vez. Na verdade, eles diziam que ela estava sendo racista. E depois de dois anos, os polícias já estavam de saco cheio das denúncias de Susan. Por isso, quando ela ligou naquele dia 2 junho reclamando que as crianças estavam na sua porta, não parecia nada urgente.
Voltando a Israel e Isaac, ao chegarem em casa relatando a confusão, Israel percebeu que havia deixado o tablet para trás. Ainda assustados, eles contaram para a mãe, Ajike “AJ” Owens, o que aconteceu. Cansada de toda essa história, disposta a dar um fim na confusão e buscar o tablet de seus filhos, AJ Owens se encaminhou a casa de Susan junto de Israel. Ela deu três batidas na porta e esperou. Nada. Deu mais duas batidas e esperou. Dentro da casa, com as portas trancadas, Susan atirou contra a porta, acertando AJ no lado direito do peito. O garoto Israel saiu correndo pela vizinhança buscando ajuda para sua mãe, aos prantos e desesperado. Logo em seguida a polícia e os paramédicos chegaram para constatar a morte de Ajike Owens de 35 anos, mãe de 4 crianças.
Susan foi presa. Ela tentou alegar legítima defesa, mas sua casa estava trancada, AJ não estava armada ou invadindo sua propriedade, não havia sinais de tentativa de arrombamento. Com isto ela foi julgada e condenada a 25 anos de prisão.
Esse caso é extremamente bizarro. Acredito que todo mundo já passou por um tipo de desinteligência com vizinhos. Esse termo “desinteligência” se refere a pequenas brigas desnecessárias que ocorrem entre as pessoas e que literalmente falta inteligência para resolver. O problema é quando a desinteligência avança a violência, que para ser sincera acredito ser um nível maior de estupidez. Estupidez esta que pode terminar em tragédias como no caso de AJ Owens.
Existem limites que devem ser estabelecidos para vivermos em sociedade, e se você não sabe viver com esses limites, recomendo um psicólogo, ou largar tudo e ir morar nas montanhas. É verdade que crianças tendem a ser bagunceiras, e quebrar esses limites, mas será que elas são o problema ou os adultos que não conseguem agir com inteligência para resolver a situação? Susan poderia estar em seu limite, mas AJ era uma mãe solteira que trabalhava para cuidar de quatro crianças, não estava ela também cansada?
A reflexão que deixo são duas:
1- Acha que realmente é inteligente liberar armas para qualquer pessoa ter fácil acesso?
2- Desinteligências entre vizinhos, qual o limite? Quando deixa de ser simples brigas?
No mais, deixo meus sinceros sentimentos aos filhos de AJ Owens e sua família. E que Susan use sua vida pagando o que poderia ter evitado se tivesse pagado um psiquiatra.
O Documentário “A vizinha perfeita” está disponível na Netflix


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